sim, eu escrevi sobre isso!
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Teatro para ninguém
Teatro para ninguém
Nesse ano de 2009 fui muito pouco ao teatro. Primeiro porque estive em cartaz durante quatro meses, em segundo porque estive sem dinheiro até para isso. E fiquei chateada por estar perdendo tantas peças. Hoje fiquei pensando que não fui assistir Bob Wilson. Em outros tempos eu teria tentado pelo menos ir até a porta do SESC para conseguir um ingresso. Mas não fui. Preguiça! Na sexta-feira assisti Nunzio, peça produzida pelo Folias que recomendo e muito! (mas não falarei dela... ). Hoje, domingo, passei o dia a ler o diário da Liv Ullman, reli cartas antigas... estava nostálgica... rs. Resolvi abrir o guia para ir ao teatro no fim da tarde. Fui à Funarte já que é ao lado da minha casa e poderia ir caminhando. Escolhi – Teatro para Pássaros- Qual o quê?!!!!! Na sinopse dizia ser uma peça que falava sobre teatro. Eu diria que sim, mas o que eu vi é mais ou menos assim: tudo que eu não gosto de ver no teatro!!!!!! Não quero falar mal da peça. Aprendi nestes anos que já é muito difícil fazer teatro e é foda estar ali com tanta gente, ou as vezes quase ninguém te olhando. Mas exatamente porque é tão difícil estar ali que tem de ser sagrado, único, como se fosse a primeira e última vez. Que puxa!!!!! Eu não acreditei em nada do que eu vi. E os atores tinham tudo para falar aos brados, pois falavam de seu próprio ofício. Não falo com alegria isso. Falo com tristeza. É engraçado! Já na primeira fala da atriz eu já soube que não ia gostar. E como tudo estava me incomodando eu prestava atenção em tudo menos na história que eles estavam me contando e que eu havia pagado para ouvir! Lembro que uma vez numa das minhas aulas de estética no Indac, o meu professor disse que quando ia ao teatro e assistia uma coisa ruim ele começava a analisar todos os mínimos detalhes e esquecia a peça... ficava ali olhando os pés, as mãos, as vozes, o cenário, o figurino, enfim... Lembrei dele durante o espetáculo e soltei até um riso de canto de boca. E lembro sempre do que Marco Antônio Rodrigues sempre nos diz: “tem que ser do caralho”. Ninguém quer sair de casa para assistir uma peça legal, quer sair de casa para ser do caralho! Eu devia ter ido assistir o Bob Wilson...
Escrito por Mosquitinho às 23h01
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Acontecimento. Mover-se pelo outro. Teatro lida com o essencial ao ser humano. Já disse há um tempo em um texto que escrevi que eu gostaria de ser essencial. Acho que por isso que sou atriz. Faz cinco meses que estou no processo de Querô, peça do Plínio Marcos e com a direção de Marco Antônio Rodrigues.
Estou organizando tudo que ingeri nestes últimos meses. Tento formular em que categoria de trabalho desejo estar. Sou de processos, isso é um fato. Gosto de trabalhar com o coletivo. Gosto de gente. Gosto da vida. Gosto do cidadão e de cidadania. Estudar Querô me proporcionou mergulhar em todos esses meus prazeres. Ouvir, calar, silenciar, dançar, imaginar, criar... Todos estes verbos estão gritando e palpitando em meu cotidiano.
Apesar disso, busco uma explosão maior. Sinto ter um vulcão aqui dentro que não se desvela ou se liberta muito devagarzinho.
Ainda agora quando tentando manifestar aqui os meus pensamentos me ecoa na memória: "Está acontecendo alguma coisa?" "É no outro que temos que agir!" "Não adianta buscar dentro da gente, é no outro" "Não é para sofrer, quem tem que sentir é a platéia e não você"! "estado, estado, estado". Puxa, parece ser tão simples, mas é tão difícil fazer teatro. É um trabalho que exige plenitude, poros abertos, olhos atentos... Olhos de jabuticaba, grandes... e curiosos. Tenho sentido vontade de tocar mais as pessoas, abraçar mais, beijar, escutar suas vozes percebendo as nuances... Quero engolir as pessoas... É preciso aglutinar-se para fazer teatro, para entender o essencial ao ser humano e de alguma maneira transtornar, provocar e dialogar as questões humanas.
Escrito por Mosquitinho às 11h55
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Nessa última semana fui assistir duas peças: O Homem com a Flor na boca, com Cacá Carvalho e Senhora dos Afogados, direção Antunes Filho.
Antes de tudo, quero dizer que não tenho intenção nenhuma em me tornar crítica de teatro, mesmo porque não tenho subsídios suficientes para isso, mas como atriz e espectadora assídua e não só passiva tenho minhas considerações e percepções em relação ao que vejo.
O espetáculo de Cacá tem alma, pertence a ele e a nós (o que é muito importante!). Nada pior que espetáculos que só pertencem a quem o faz. Cacá Carvalho nos acolhe e nos chama para contar uma história. E singelamente nos diz: “isso é teatro!” “eu estou aqui brincando com vocês, isso tudo não passa de uma grande brincadeira”. Ele brinca com as palavras, brinca com o público, escarra, suspende, emociona simplesmente com um único instrumento: ele mesmo! E parece tudo tão simples. Interpretar parece ser tão fácil. Desde que comecei fazer teatro sempre ouvi que temos de estar presente em cena e ter o frescor como se fosse sempre à primeira vez. Foi essa a minha sensação na quarta-feira passada no palco do Sesc Consolação. Cacá Carvalho me capturou e despertou curiosidade e múltiplas sensações de riso, de tristeza, de compaixão e poesia. Raridade. Pedra preciosa. Bicho sagrado.
No mesmo palco do Sesc Consolação, sábado, fui assistir Senhora dos Afogados. Estava ansiosa, pois sou obcecada por Nelson Rodrigues e, além disso, assisto todas as montagens do CPT. Poderia dizer: NÃO GOSTEI, ACHEI CHATA. DECEPÇÃO! Por quê? Exatamente pelo mesmo motivo que gostei da peça que falava acima: Não tem alma, não vibra, nada chega para a platéia, ou melhor, nada chegou a mim. Embora tenha conversado com pessoas no final que tiveram a mesma sensação que eu. Esteticamente a peça é linda. Como releitura de Nelson, nada a questionar, Antunes, não pega simplesmente o texto e remonta, tem o ponto de vista dele ali e isso é inquestionável e digo mais: é admirável! A grande questão pra mim é que os atores ficam apenas na forma. Não tem recheio. Oco. As palavras são ditas P-E-R-F-E-I-T-A-M-E-N-T-E e os gestos expressionistas desenhadíssimos. E aí eu me pergunto: e daí? Saí do teatro e perguntei: “por que antes essa “fórmula” do diretor funcionava e agora não mais?”. Eu não cheguei a ver as grandes montagens de Macunaíma e Paraíso Zona Norte, mas porque será que era muito bom e agora não é mais? Seriam os atores? Seria por que o espetáculo é a cara do Antunes, mas os atores não têm identidade nenhuma ali? Cadê a autoria dos atores em cena? Afinal, o teatro não pertence aos atores e ao público? Teatro se faz sem atores?
Será que os nossos “grandes diretores” não estão se tornando apenas diretores de arte e esquecendo de dirigir os atores, em prol de seu egocentrismo?
Não estou sendo irônica, são questões que eu venho pensando e estou colocando para quem quiser dialogar. Afinal, teatro desperta, provoca, mexe com o bichinho que tem dentro da minha barriga e... fico inquieta!
(por hora... fico com minhas interrogações)
Escrito por Mosquitinho às 16h03
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Se fosse tão fácil falar de amor quanto se perder nele , estaríamos prontos. Entre o entendimento e a aceitação existe um labirinto onde nos perdemos e andamos ora em zigue-zague ora em círculos, quando muito, em linha reta, sem enxerguar o começo e nem sequer o fim. Com ou sem cautela procuramos na nossa ausência o preenchimento no vazio do outro. A minha solidão e a sua monotonia querem um par para dançar. A música toca em meio a perdição, embora entoe lenta e descompassada na maioria dos tempos. Aliás, no tempo nosso, o amor é pretérito imperfeito e futuro do presente. É Romeu, Julieta, Ofélia, Vinícius, Pessoa por Pessoa, é Kahlo quando não se olha. São músicas e letras ressoadas sem Tom e com João. Ausência em par. Ausência de, estado de, ímpeto de, coragem de, apesar de...
Escrito por Mosquitinho às 17h35
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Em processo de amor. Há de se falar de amor. Substância primeira, pura e de gosto doce alaranjado.
Amor. Escolhi. Capturei.
Tenho improvisado cenas curtas para a semana.
Não estão entendendo nada?
Há um ano atrás eu tinha um blog que deletei. Escrevi inúmeros textos, cartas de amor. Eu tinha uma grande inspiração: minha própria vida! Sempre escrevi muitas cartas. Cartas apaixonadas, de despedidas, de carinho, de raiva, confissão, enfim, para os apaixonados, para os amigos, e afins. Quando dei por mim tinha um material enorme colecionado.
Sou atriz. Sendo assim, nada melhor do que pegar minhas inquietações e levá-las a tona para quem quiser capturá-las. O amor é uma inquietação? Sim. Na minha vida é uma das maiores. Não é à toa que sempre escrevi muito sobre isso. Por que falar de amor? Já foi tão falado não? E vivido, será? Acho que pouco. Tem gente que nunca sentiu o cheiro. Tem gente que se lambuza de amor. Eu distribuo, ofereço, coleciono, e melhor, vivo!
Há um mês reuni três pessoas para trabalhar comigo nesse processo de amor. Estou feliz. Ainda os passos são curtos, mas nossos primeiros encontros foram deliciosos. Acho que este será um processo muito prazeroso. Há se ser! Estou feliz e com muito amor no coração! (rs) É a primeira vez que tomo uma iniciativa de ter um trabalho que de verdade me pertence! Esse é o meu teatro!
Escrito por Mosquitinho às 18h34
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Abro os olhos. E sonho. Um olho azul embutido na tela. Névoa, tudo embaçado, escorrido em multicores. É ela. Ora atriz. Ora puta. Ora com a boca de sangue. Sem dúvida escarra sonhos. Eu sonho. Ela sonha. Ele tira um sarro da nossa cara patética. Do que será que ele está falando? Eu sou, tu és, ele é. Ser. Apenas. Eu queria entender. Não sei entender o que se passa. Ouço vozes, a música, um tiro na TV de plasma. Explode um imã de casas, casa grande, casa pequena, dentro.... coelhos, macacos, gazelas... bichos. Somos bichos. Somos feitos de sonhos. Um império de sonhos. Livres? Não. Enroscados na cadeia das lágrimas. Olho pelas frestas, através da fechadura pequena. Arde minha vista cansada. Sou assassinada pelo meu sonho de ser o que eu deveria ter sido. Um personagem que criei e não consigo identificar, construir, capturar. Corro atrás da minha sombra torta pela alameda. Bate um sol de fim de tarde. Chego ofegante. E piso sorrateiramente cada taco do dormitório. Ouço gemidos, fazem amor, gozam, suam, sussurram. E dormem. Eu quero ser sonhada. Jogada pra fora de mim. Sem lógica, sem trajetória, sem ponto final. *** assistam Império dos Sonhos, David Lynch
Escrito por Mosquitinho às 00h55
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Ontem fui assistir ao filme “Piaf- Um hino ao amor”. Lindo e triste. Não é a primeira vez que digo isso. Na maioria das vezes as coisas mais lindas têm sua tristeza embutida. Estranho? Repare então?! Que seja uma melancolia... Até agora estou pensando nesse filme, nas suas canções que me navegam os olhos e a alma. Que vida dessa mulher! Agora pouco li uma crítica na Folha de S. Paulo dizendo que o filme é melodramático. Bem, isso pode ser um elogio?! No que diz respeito a vida de Edith Piaf sim... sua vida foi grande parte uma verdadeira tragédia... mas sem isso sua música talvez não fosse tão carregada de vida e pulso. Acho lindo quando no último momento em que não faria seu show no Olympia ela ouve a canção Non, Je Ne Regrette Rien , volta atrás e diz: “sim, eu vou cantar”, porque a música era ela. Ser o que se canta. Ser o que se representa. Ser! O verdadeiro artista “é” naquele instante, “é”. Simples assim. Subir ao palco somente para dizer aquilo que é muito importante ser dito para seu ser. Isso sim faz um verdadeiro artista. E não simplesmente subir ao palco e decorar meia dúzia de texto e receber os aplausos ao final. Não! Suscitar sempre a pergunta “o que me incomoda?” “O que sou de mim?” “Por que dizer isso?” “vale a pena as pessoas saírem de suas casas para ir ao teatro?”. Ah.... basta querer dizer e estraçalhar as janelas que sim, vale a pena!!!! Eu amo a ARTE e somente os verdadeiros artistas.
Escrito por Mosquitinho às 23h53
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